Vivian Guilherme https://vivianguilherme.com.br Autora de romances chick-lit Sun, 19 Jul 2026 03:11:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://vivianguilherme.com.br/wp-content/uploads/2026/07/cropped-vivian-guilherme-icone-1-32x32.png Vivian Guilherme https://vivianguilherme.com.br 32 32 Pedro Bandeira e a série Vagalume https://vivianguilherme.com.br/pedro-bandeira-e-a-serie-vagalume/ https://vivianguilherme.com.br/pedro-bandeira-e-a-serie-vagalume/#respond Sun, 19 Jul 2026 03:11:04 +0000 https://vivianguilherme.com.br/?p=300 Quem se lembra daquele saudoso caderninho de perguntas que rodava as salas de aula na década de 90? Quem é dessa época também se lembra de que, na clássica pergunta “qual seu livro favorito”, as respostas dificilmente variavam. Em sua maior parte, os rabiscos de caneta colorida se dividiam entre alguns poucos títulos, todos da série Vagalume, publicada pela Editora Ática nos idos de 1970.

“A Ilha Perdida”, “O Mistério do Cinco Estrelas”, Os Barcos de Papel”, “O Escaravelho do Diabo”, “O Rapto do Garoto de Ouro” são apenas alguns dos títulos mais famosos que compunham a série que tinha como foco atender ao público infanto-juvenil e que constavam da lista de material escolar. Entretanto, os meus favoritos de toda a coleção eram os assinados pelo autor Pedro Bandeira.

Foi depois de ler “A Marca de uma Lágrima”, por indicação da minha prima, que me tornei fã do escritor e li todos os títulos lançados na época: “A Droga da Amizade”, “A Droga da Obediência”, “A Droga do Amor”, “Anjo da Morte”, “Pântano de Sangue”, entre vários outros. Na minha adolescência, a paixão pelos livros de ação/policial de Bandei- ra me fazia pensar por que ninguém nunca tinha transformado esses títulos em filmes. Foi isso até que fez com que eu prestasse vestibular para o curso de Imagem & Som, com o desejo de me tornar cineasta e focar na produção para um mercado tão esquecido no Brasil, o público jovem-adolescente.

Mais de 15 anos depois, eu não me tornei cineasta e nenhum livro de Pedro Bandeira virou filme. Entretanto, há uma notícia boa para os jovens que, assim como eu [amava os Beatles e os Rolling Stones], adoravam a série de livros: o filme baseado no livro “O Escaravelho do Diabo”, um dos maiores sucessos nas aulas de português dos anos 90, se tornou realidade. Termino deixando o convite para que assistam ao filme e um pedido para que não se esqueçam dos livros e incentivem as crianças a ler!

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Resenha: Inícios, e-mails e fim, de Ana Carol Veloso https://vivianguilherme.com.br/resenha-inicios-e-mails-e-fim-de-ana-carol-veloso/ https://vivianguilherme.com.br/resenha-inicios-e-mails-e-fim-de-ana-carol-veloso/#respond Sun, 19 Jul 2026 03:10:25 +0000 https://vivianguilherme.com.br/?p=297 Quando vi o título e a capa de “Inícios, e-mails e fim”, da autora nacional Ana Carol Veloso, eu pirei. Primeiro pela criatividade desse título, simplesmente fantástico, depois pelo primor que é essa capa, basicamente um esboço da minha mesa de computador, na época em que entrei para a faculdade, lá no início dos anos 2000. E é exatamente esse o pano de fundo do romance que tem uma proposta bastante diferente, se trata de um romance epistolar.

Para quem nunca ouviu falar, epístola é carta, isso mesmo. É um livro escrito em formato de cartas, mas não cartas, e-mails! São vários e vários emails que contam a história de Karla (com K) e Sergio. Uma história com todo o tempero carioca, o clima praiano, a música com cara de brasilidade. Essa história poderia muito bem ter sido o relato de vida de uma das minhas amigas de colégio, aliás, de uma amiga em específico. Mas fato é que é uma história muito real, com personagens reais, aesthetic e tudo muito: “isso parece uma amiga contando o que rolou com ela”.

Devido a essa proposta, confesso que demorei um pouco pra iniciar, um pouco por pé atrás, outra por achar que não gostaria da proposta. Bom, erro meu. Comecei a ler o primeiro email e… quando assustei já estava na metade do livro! A leitura rolou muito, muito rápido. É incrível ver como a autora conseguiu construir a personalidade dos personagens de forma tão fiel, Sergio o nerd quieto e família, e Karla a doidinha que ama uma festa e uma diversão sem compromisso.

No enredo, que começa pelo fim, Sergio termina com Karla por email. É. Terminou um “casamento” de sete anos por email! Claro que só pra manter a maldição dos sete. Eles não eram casados, casados, mas moravam juntos. E não rolou nenhuma crise do tipo traição, barraco ou coisa do tipo. Só o que acontece com quem já viveu um tempo juntos e descobriu que ali não dava “liga” e que as pessoas estavam em caminhos opostos. 

O legal mesmo é a forma como o enredo se encaminha, emails trocados discutindo o fim da relação. Emails de amigos comentando esse fim, relatos de como tudo começou e até mesmo emails que nunca foram enviados. Não sabe o que é isso? Ah, então acho que você não viveu os anos 2000 direito (se viveu). Quantos e quantos emails foram escritos para destinatários que nunca receberam, ou quanto a aba de rascunhos foi utilizada como um diário online. E é isso que você vai encontrar por aqui. Uma escrita sensível, real e um verdadeiro retrato do Rio de Janeiro e de nossas vidas nos anos 2000.

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Resenha: Impostora, de RF Kuang https://vivianguilherme.com.br/resenha-impostora-de-rf-kuang/ https://vivianguilherme.com.br/resenha-impostora-de-rf-kuang/#respond Sun, 19 Jul 2026 03:09:32 +0000 https://vivianguilherme.com.br/?p=294 Sabe aquele emoji da cabeça explodindo? Imagine ele aqui [] Mais ou menos assim. Assim mesmo que ficou minha cabeça à medida que a leitura avançava. Minha senhora RF Kuang, o que é isso? Essa foi minha primeira leitura da autora e que eu provavelmente jamais leria aleatoriamente, mas foi um livro escolhido pelo Clube do Livro. Ao ler a sinopse eu já fiquei intrigada, ele promete, e… entrega! Quer dizer, não tudo, mas entrega.

Meu sentimento ao ler o livro: realmente foi uma autora chinesa que escreveu isso? Porque as críticas ao povo sino-americano são tão contundentes e tão crueis que chega a doer, impossível não sentir empatia ou não se comover com isso. Pensa a capacidade dessa autora de escrever sobre si própria de forma tão cruel, que sanidade mental e que coragem! 

Mas, acredito que, acima de tudo, mais do que um livro que critica o preconceito, é um livro que critica o próprio modus operandi da indústria do livro, a corrupção nas editoras, o mercado voraz, os leitores impiedosos, a internet sanguinolenta. Tem uma frase da autora que (pra mim) resume todo o mercado editorial: “Best-seller são escolhidos. Nada do que você faz importa.”

É engraçado perceber o quanto isso faz sentido no mercado editorial brasileiro (mas não vou me alongar nisso, escreverei um artigo só sobre essa frase). Enfim, neste livro, Athena é a suprassumo cósmico do mercado editorial, vendendo direitos de livros, ganhando dinheiro, sendo um sucesso. Mas, um dia, ela morre engasgada. Acontece que quem está com ela neste momento é sua “melhor amiga”, ou não. June sempre invejou o sucesso da colega de faculdade e não perdeu a oportunidade de passar a mão no novo livro da amiguinha.

Depois de ler o manuscrito, June achou que muitas coisas ali poderiam melhorar e foi o que ela fez. Reescreveu parte do livro e mandou para uma editora que aceitou a publicação e bum! Sucesso. Só que nem tudo são flores, ela tem que enfrentar o fato de que está escrevendo um livro sobre o povo japonês, mas não é sino-americana. Por isso, enfrenta a ferocidade do público que a considera “sem lugar de fala” e começa a desconfiar dessa tal “amizade” dela com a escritora morta.

O livro é muito bom e seria ainda melhor se o fim não fosse tão ‘blé’. Eu construí tantas teorias e expectativas para esse fim, mas o que realmente acontece é bastante brochante. Acredito que a autora perdeu a oportunidade de fazer uma grande metalinguagem ali, com o livro sendo o produto do livro. Ou um grande plot-twist de Athena viva e testando a ética da “amiga”. Mas não… ainda que eu tenha entendido a crítica sobre “está todo mundo querendo ganhar em cima do outro e se dar bem a qualquer custo”, acho que daria pra fazer algo menos ‘blé’. Afinal, o que foi aquela cena da escada? (ranço..) Resumindo: tirando o fim, o livro é incrível!

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Resenha: A Rainha da Fofoca, de Meg Cabot https://vivianguilherme.com.br/dicas-para-quem-deseja-iniciar-na-escrita/ https://vivianguilherme.com.br/dicas-para-quem-deseja-iniciar-na-escrita/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:34:17 +0000 https://vivianguilherme.com.br/dicas-para-quem-deseja-iniciar-na-escrita/ Quando peguei esse livro no sebo, foi mais por curiosidade em conhecer a escrita da autora do que propriamente um interesse pelo título. Para mim, Meg Cabbot era a autora do Diário da Princesa, e só! Claro que amei o filme e nunca me canso de assistir até hoje, quando está passando aleatoriamente na TV. Mas nunca li o livro e muito menos sabia que Meg era muito mais do que um roteiro adaptado pela Disney.

Só depois de ler “A Rainha da Fofoca” e sair por aí “fofocando” no Threads, que descobri que outra série da autora é muito mais famosa do que tudo isso aí. Segundo as meninas do Threads e minha prima, “A mediadora” é o livro que vai mudar a minha vida. Não sei. Veremos. Volto aqui depois de ler. Porém, entretanto, contudo, todavia, o assunto desta resenha é: Queen of Babble. Desculpe, mas me recuso a continuar chamando esse livro de Rainha da Fofoca. Ops. Chamei de novo.

Bom, o que acontece… é o seguinte (na minha opinião, claro): esse título está MUITO mal traduzido. Ok, tentaram me convencer que talvez a tradução tenha surfado na onda de Gossip Girl e que não havia outra palavra pra substituir “babble”, enfim… Fato é que: uma pessoa fofoqueira é muito diferente de uma pessoa tagarela. Eu acho. E é o que acontece aqui.

Neste livro, Liz é muito parecida comigo, ou seja, a pessoa que fala sem filtro, apenas fala o que está pensando e depois vai ver a caca que fez. Então, é diferente de uma fofoca que tem fundo intencional e maldoso. Aliás, Liz é MEGA ingênua, a pessoa que acredito que o cara que a salvou de um incêndio estava apaixonado por ela e ficou meses esperando pelo cara (tendo só dado um beijo nele). Viajou quilômetros, atravessou um oceano para ver o carinha que, na verdade, só estava querendo que ela pagasse as dívidas de jogo dele.

Mas melhora! Liz resolve encontrar a amiga que está num castelo na França. Sério, um sonho de lugar! E no caminho para lá encontra um carinho muito rico e que é um verdadeiro cavalheiro. Imagine só… já visualizou, né? É um livro superleve, muito gostosinho de ler e quando vi já tinha arrematado as mais de 300 páginas. Ah, detalhe que dentro do próprio livro também há palavras e termos com traduções estranhas, mas, tirando isso, ignore o título, Liz é um doce de pessoa e não há fofoca nenhuma durante o livro inteirinho!

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RESENHA: Mentiras que Contamos, de Philippe Besson https://vivianguilherme.com.br/por-que-escrever-sobre-o-cotidiano-importa/ https://vivianguilherme.com.br/por-que-escrever-sobre-o-cotidiano-importa/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:34:14 +0000 https://vivianguilherme.com.br/por-que-escrever-sobre-o-cotidiano-importa/ Em um universo normal eu jamais leria “Mentiras que Contamos”, e isso por diversos motivos. O primeiro deles, nunca tinha ouvido falar do autor, em segundo, a capa não me atraiu e a sinopse também não. Nada em particular, ou como diríamos, “desculpa, Felipão, nada pessoal”. Mas só não “pegou”, pode ser porque leio tantos romances genéricos e iguais, que pensar em mudar o “modus operandi” me tira do meu “lugar comum”. 

Mas então, como acabei lendo e como esse livro se tornou o meu favorito até agora? Em janeiro, entrei para um clube do livro, uma amiga me contou que entrou para um clube do livro e me convidei para participar. O principal motivo foi para sair da minha zona de conforto, ler coisas que jamais leria por livre e espontânea vontade. E foi exatamente o que aconteceu! 

Mentiras que Contamos é um livro inesperado, é intenso, é delicado, bonito e polêmico. Tudo isso ao mesmo tempo. Não esperava encontrar tanto ali. Sem brincadeira, grifei praticamente o livro inteiro! Uma coisa não podemos negar, Besson é um excelente frasista! Quer um exemplo?

“Eu tenho dezessete anos. Nessa época, não tenho conhecimento de que nunca mais terei dezessete anos; não sei que a juventude não dura, que é só um momento, que ela desaparece e que, quando nos damos conta, já é tarde, acabou, sumiu, a perdemos.” – Philippe Besson

Esta é apenas uma das várias. Um livro que fala sobre amor impossível, sobre preconceito, sobre amor na juventude e sobre decepções amorosas e um mundo muito cruel. É essa a história de Philippe, que se apaixona por Thomas na adolescência, com quem passa momentos lindos e felizes. Mas Thomas não tem a mesma coragem de Philippe, Thomas — como um típico trabalhador rural da década de 1980 — não consegue assumir o romance e se esconde, esconde o que os dois vivem.

No entanto, a descrição desses encontros… é um primor, meus amigos! É delicado, é intenso de uma forma que deixa a dúvida: essa história é real? Cheguei a pesquisar e, ao que tudo indica, pode ser. Há diversos pontos de conexão entre a vida do autor e do personagem e posso crer que tudo aquilo relatado foi bastante real. 

O legal de ler um livro que nos tira do conforto é conseguir encontrar soluções para problemas. Por exemplo, estava há dois anos tentando resolver um entrave em um livro escrito há 4 anos! Não conseguia resolver o problema da passagem de tempo sem ser prolixa, sem ser melosa ou repetitiva. Besson me deu a ideia. Simples e direta. Frases soltas, que resumiam encontros de Philippe e Thomas, mas que demarcavam a passagem temporal. Descaradamente copiei a ideia, não as palavras, e consegui finalizar e resolver o problema. 

Talvez por isso ou por tudo isso e talvez mais, “Mentiras que contamos” é (até agora) meu livro favorito de 2025.

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Resenha: Rock Book, de Ivan Hegen (Org.) https://vivianguilherme.com.br/explorando-a-forca-feminina-em-romances/ https://vivianguilherme.com.br/explorando-a-forca-feminina-em-romances/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:34:13 +0000 https://vivianguilherme.com.br/explorando-a-forca-feminina-em-romances/ Foi por acaso que descobri “Rock Book”, um tanto aleatório, mas que me deixou curiosa. Era uma coletânea de autores escrevendo sobre a temática “rock”. Claro que o tema já chamou minha atenção, mas mais ainda por reconhecer alguns nomes entre os autores e verificar que se tratavam de nomes renomados da literatura contemporânea. Então, resolvi dar uma chance.

E qual não foi a surpresa! Pensa em um livro excelente! Organizada por Ivan Hegen, a obra contém histórias de Márcia Denser, Glauco Mattoso, André Sant’Anna, Nelson de Oliveira, Luiz Roberto Guedes, Carol Zoccoli & Cláudio Bizotto, Alex Antunes, Danislau, Toni Monti, Xico Sá, Andréa Catrópa, Abilio Godoy, Carol Bensimon, Cadão Volpato, Antonio Vicente Pietroforte, Mario Bortolotto, Sergio Fantini, Andréa Del Fuego e Fernando Bonassi.

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Aqui vemos a vanguarda, tudo de melhor que é produzido no Brasil, sob o viés de um tema específico. É incrível ver como cada autor coloca sua forma de escrita, de produção para um mesmo tema. Foi a partir desse livro que conheci alguns autores que entraram pra minha lista de favoritos como: Andréa del Fuego, Márcia Denser, Ivan Hegen, Tony Monti, Andréa Catrópa, Abilio Godoy, Carol Bensimon e Cadão Volpato.

De todos, faço questão de destacar três, cujas histórias ficaram marcadas, não apenas pelo enredo, mas, sobretudo, pela forma. Não sei se porque passei bastante tempo lendo literatura contemporânea pasteurizada, mas ter contato com uma literatura tão disruptiva e vanguardista como essas me tirou da zona de conforto me fez lembrar a literatura que estudei na graduação do tanto que me influenciaram no começo.

Começo falando de Ivan Hegen, que além de ser o organizador da obra, é autor de um dos mais primorosos contos da coletânea. “Microfonia” é o relato de uma relação desgastada, a discussão entre um casal, que também compartilha a rotina em uma banda de rock. Ela está cansada da estrada e quer uma família, ele continua usando drogas e vivendo as loucuras do “sex, drugs and rock n roll”. Mas o melhor do conto nem é o enredo, é a estrutura textual com tanta delicadeza, descrições minimalistas e tão sensíveis, que me deixaram verdadeiramente emocionada. O melhor conto da coletânea sem dúvidas!

E por falar em sensibilidade, o que dizer de “Lacunas”, conto de autoria de Abilio Godoy. Olhando aqui pelo Kindle, grifei mais de 7 partes do conto. Frases lindíssimas que dariam para ser estampadas em camiseta! [Vou fazer um post com elas] A história é um relato de um rockstar, prestes a entrar no palco. Ele reflete sobre o passado, sobre a infância e no que sua vida se tornou. Lindíssimo!

Destaco também duas mulheres que me ganharam de vez. Andréa del Fuego com o conto “Livre do som” me fez pensar: é ficção? A forma como descreve cada um dos sentidos e sentimentos só me faz crer que pode ser um misto de ficção e realidade. A história de uma adolescente que quer ser gótica e se deixa levar por uma amiga. O conto é reflexivo e divertido. Já coloquei na lista de leitura o último livro da autora, que me deixou muito curiosa.

O conto que abre a coletânea é de Marcia Denser. E eu te pergunto: onde eu estava antes que não conhecia Marcia? Me diz! Marcia é a musa rocker da literatura, ou como disse Caio Fernando Abreu: nossa musa dark da literatura. Apesar de ela ter convivido com grandes nomes da literatura, permaneceu na contemporaneidade, produzindo e traduzindo o nosso mundo feminino moderno. A tristeza foi saber que Marcia morreu há menos de um ano! Isso é injustiça demais! 

Por fim, deixo aqui minha indicação pra esse livro incrível pra quem quer conhecer o que de melhor é produzido na literatura contemporânea. Obrigada por esse trabalho, Hegen!

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Resenha: A Equipe, de Rani Gouveia https://vivianguilherme.com.br/a-importancia-da-sensibilidade-na-literatura/ https://vivianguilherme.com.br/a-importancia-da-sensibilidade-na-literatura/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:34:12 +0000 https://vivianguilherme.com.br/a-importancia-da-sensibilidade-na-literatura/ Eu não li “A Equipe”, de Rani Gouveia. Oras bolas, então porque estou aqui escrevendo uma resenha sobre um livro que não li?! Digo, não li, mas não quer dizer que não o ouvi! A-há! Pois bem. “A Equipe” foi minha primeira experiência com audiobooks, ainda que não seja um livro em audiobook. Explico: uma amiga me contou que a Alexa está com uma funcionalidade de ler livros do Kindle (com voz de Alexa mesmo) e fui testar.

Parecia ruim no começo, aquela voz igual, insossa da Alexa lendo aos soquinhos, com nada de entonação. Mas qual não foi minha surpresa… quando vi… já estava na metade do livro! Exatamente! Tudo isso porque Rani Gouveia tem um talento natural (e incomum): descrever cenas tão perfeitamente que nos faz visualizar os espaços como se fossem físicos. É alucinante!

Conto que já tinha lido o livro anterior da autora “No meu caos, ela”, que é o livro original, pois “A Equipe” é um prequel deste, mas a experiência com a leitura é muito diferente e superior. No livro físico, o excesso de descrição costuma me cansar um pouco, mas entendo que é uma necessidade do livro, pois se trata de um título de ação, portanto, é preciso descrever ações, não é? Então, para a leitura eu senti um pouco arrastado, mas…

É, meus amigos, eu AMEI “A Equipe”. É tenso, é intenso, cruel, realista e te faz sofrer. (Não tanto quanto No Meus Caos, Ela”) O livro conta a história dos personagens que integram uma equipe de mercenários na Europa, começando lá nos anos 70, no embrião do grupo, quando Yvan começa a recrutar especialistas para praticar “crimes”. Digo, “crimes”, porque no fundo você fica até naquela: mas ser mau com gente má é pecado? 

Cada personagem tem sua tragédia pessoal e motivação para aceitar abandonar tudo e sumir no planeta, vivendo pelo “crime”. Spoiler: todas as histórias são tristes. Ah, tem isso também, não leia Rani Gouveia pensando encontrar arco-íris e unicórnios, ok? É drama em cima de drama e haja lencinho e terapeuta. Mas, enfim, de todos os mercenários os que mais me cativaram foram: James, Gunter e Steve.

Steve é um atirador de facas em um circo, que tragicamente perde a noiva em um incêndio. Gunter mora em um orfanato, quando é adotado por Yvan e James aprende a se virar sozinho quando a mãe some e o pai morre de overdose. É tragédia que vocês queriam? É exatamente o que vão encontrar por aqui! 

Para ler: https://www.amazon.com.br/Equipe-prequel-Meu-Caos-Ela-ebook/dp/B0CQQ282Y2 

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4 séries com mulheres incríveis https://vivianguilherme.com.br/cinco-livros-que-moldaram-minha-trajetoria/ https://vivianguilherme.com.br/cinco-livros-que-moldaram-minha-trajetoria/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:34:09 +0000 https://vivianguilherme.com.br/cinco-livros-que-moldaram-minha-trajetoria/ Elas são lindas, determinadas, obstinadas e, sobretudo, inspiradoras. Separei sete séries que trazem mulheres maravilhosas como protagonistas, do drama à comédia, confira programas que valem a pena conferir:

Scandal

Quem não queria ser Olivia Pope? Não pelos escândalos que a envolvem e ao presidente dos Estados Unidos, mas sobretudo por sua força e segurança. Ela sempre sabe o que fazer, como fazer e quando fazer e, sempre, está certíssima. Obviamente, a série é de autoria da escritora Shonda Rhimes, que tem como maior característica séries com mulheres fortes como papel principal, vale citar também os seriados: “How to get away with murder”, “Grey’s Anatomy” e “Private Practice”.

Drop Dead Diva

Deb Dobkins é uma linda modelo à procura da fama. Até que um acidente de carro a leva para o céu, onde, inconformada com sua morte, se mete em uma encrenca e volta para a Terra, mas no corpo de uma advogada bem diferente. Ela se adapta à nova forma e dá a volta por cima. A série é divertidíssima e foi concluída em 2014.

Revenge

Definitivamente não há personagem mais determinada que Emily Thorne. Demorou, mas ela se preparou e voltou para vingar seu pai. Depois de ter sofrido desde a infância diversas injustiças, ela enriqueceu, saiu do país, estudou, comprou uma mansão e daí em diante… é só assistindo para conferir essa história.

Law and Order – SVU

Desde 1999, Olivia Benson é a personagem favorita dos telespectadores de todas as idades. A policial da unidade de vítimas especiais já foi estuprada, sequestrada e ainda assim não abandonou o dever ao proteger mulheres vítimas de violência sexual.

Miss Fisher’s Murder Mysteries

Ela é delicada e muito educada, uma verdadeira lady dos anos 1930. Mas a imagem em nada reflete a verdadeira personalidade da detetive Phryne Fisher, que sabe pilotar aviões. manusear adagas, desmontar bombas e solucionar crimes inimagináveis. Apaixonante!

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Não existem mais tradutores como antes https://vivianguilherme.com.br/memorias-afetivas-como-fonte-de-inspiracao/ https://vivianguilherme.com.br/memorias-afetivas-como-fonte-de-inspiracao/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:34:08 +0000 https://vivianguilherme.com.br/memorias-afetivas-como-fonte-de-inspiracao/ Confesso que sempre tive um pouco de resistência com qualquer tipo de literatura muito nova. Ou então com aquela literatura de capa muito colorida, com imagens abstratas, menções de críticos, número de vendas e sempre de um autor que eu nunca tinha ouvido falar. Aliás, sempre fiquei com os dois pés atrás com qualquer autor que estivesse na lista dos mais vendidos, ou na vitrine de uma livraria, ou na estante principal de qualquer biblioteca.

Entretanto, por indicação da querida amiga Neia, decidi começar a ler a série Millennium, do autor sueco Stieg Larsson. E confesso também que não fui facilmente convencida. Eu gosto de quando alguém me conta a história antes e daí eu posso decidir se vou ou não ler. Até porque nosso tempo é tão curtinho, que eu nem posso me dar ao luxo de ler um livro do qual não sei se vou gostar.

Pois bem, o que eu queria dizer é o seguinte. Esses livros são legais? São. Li aquele calhamaço de 600 páginas do Larsson em apenas cinco dias. A história é envolvente, o enredo é emocionante e os personagens são fantásticos. Os livros são bem escritos? Não. Definitivamente, por Deus, NÃO. Eu fico pensando quem, em sã consciência consegue escrever em uma mesma página três vezes a expressão meneou a cabeça e “franziu o cenho”. E se fosse aleatório, só ali, restrito a um personagem, eu até poderia dizer que era um cacoete, uma expressão. Mas não. Página sim, página não, a expressão está ali.

No livro do Larsson, no livro da Stephanie Meyer e posso citar mais uma dezena deles que, se não tiver essas expressões, da mesma forma trazem palavras repetitivas, figuras de linguagem pobres, rimas inexistentes etc etc etc. E isso é um problema do autor? Eu realmente acredito que não. Como Larsson, um jornalista renomado e premiado, escreveria tão mal? Infelizmente não leio sueco para poder comprovar isso, mas do que tenho bastante certeza é de que não existem mais tradutores como antigamente.

Em uma entrevista, o Millôr Fernandes (em 1989, no Roda Viva) comentou sobre o ofício da tradução. Ele relatou o quanto um bom tradutor também precisa ser um bom escritor, para conseguir reproduzir as rimas, as aliterações e não empobrecer a obra. Ele citou como exemplo a tradução que fez de Shakespeare e descreveu a dificuldade. O que me parece é que nos dias de hoje não há preocupação com a obra como um todo. Se alguém sabe a língua, entende o básico, vira tradutor, executa em minutos e entrega pronto. Com o chatGPT daqui a pouco nem teremos mais tradutores!

Mas não é bem assim, traduzir é reescrever completamente, é começar do zero, é entender o autor e conseguir passar tudo isso para outra língua sem perder o que de mais primoroso ele construiu. Já se foi o tempo em que grandes autores eram selecionados para realizar as traduções de livros de literatura. Infelizmente o tempo é outro e, infinita- mente, pior!

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Outlander cativa público brasileiro https://vivianguilherme.com.br/o-processo-criativo-por-tras-das-personagens/ https://vivianguilherme.com.br/o-processo-criativo-por-tras-das-personagens/#respond Mon, 13 Jul 2026 20:34:07 +0000 https://vivianguilherme.com.br/o-processo-criativo-por-tras-das-personagens/ Escrito originalmente no fim dos anos 80, o livro A Viajante do Tempo (Outlander), de autoria de Diana Gabaldon, foi lançado em 1991. A autora, hoje com 72 anos e filha de um ex-senador, era professora universitária no Estado do Arizona, Estados Unidos, com foco em pesquisa de zoologia e biologia marinha. O gosto pela escrita de ficção surgiu como um hobby, assistindo a um episódio da série Doctor Who (no Brasil exibida pela TV Cultura). Diana se interessou por um personagem escocês do seriado e começou a escrever o romance. Publicou alguns excertos em um site e um agente literário a contatou. O contrato foi para a publicação de uma trilogia, sendo que apenas o primeiro livro estava pronto.

Trinta e três anos depois. Diana está entre uma das grandes vendedoras de livros no mundo. O que era para ser uma trilogia se tornou em nove livro, com série na televisão e muitos fãs fervorosos. (Vale lembrar que cada livro tem, em média, 950 páginas: sendo que dos livros três a seis são divididos em duas partes de cerca de 900 páginas cada!)

A série que foi ao ar em 2014 no canal Starz já está em sua sétima temporada  A audiência do programa é cada vez maior e vem duplicando o número de espectadores. Para quem não conhece ainda o seriado ou os livros, trata-se de um romance histórico que começa em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial. A enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros, lá encontra o escocês Jamie Fraser. A história de amor continua a partir daí.

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